Sobre mim
O que não cabe numa lista de sistemas.
Engenheiro de energia formado na Universidade de Brasília, com mestrado em Ciência e Tecnologia Aeroespacial na Beihang University, em Pequim, e passagem de pesquisa pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa.
Lisboa, aos 22 anos
A primeira saída foi Portugal. Fui pelo Ciência sem Fronteiras para o Instituto Superior Técnico de Lisboa, em mobilidade no mestrado integrado em engenharia mecânica, e completei seis unidades curriculares, entre elas energia nos transportes, gestão de energia e sistemas elétricos.
O que ficou daquele ano não foram os créditos. Foi integrar a equipa de investigação em Transportes, Energia e Ambiente, na caracterização energética e dinâmica de veículos elétricos, com monitorização em estrada comparando o desempenho energético e ambiental deles contra os modelos convencionais.
Ou seja: aos 22 anos eu já estava medindo consumo de energia em condição real, com instrumento, para comparar com o que a teoria previa. Trabalho medido contra trabalho suposto. É o que eu faço até hoje.
Pequim, depois
Fui indicado por professores e coordenadores do curso de engenharia da UnB para a Agência Espacial Brasileira, passei pela triagem deles e fui selecionado pelo programa de bolsas do governo chinês. O destino foi a Beihang, e o assunto virou ciência e tecnologia aeroespacial, com pesquisa em microssatélites.
Dessa vez não era só um país diferente: era outro alfabeto, outro método de ensino e um domínio que eu não conhecia. Terminei com a melhor defesa de tese da turma e com trabalho apresentado na Global Space Exploration Conference.
Participei do programa do BUSAT-1, o CubeSat 2U da Beihang na constelação QB50, lançado em abril de 2017. Meu mestrado foi a arquitetura de controle térmico: simulei o ambiente da órbita para dimensionar dissipação de calor, aquecedores e mantas, de modo que a eletrônica trabalhasse dentro da faixa de temperatura que ela suporta.
Um satélite não tem manutenção. Depois do lançamento ninguém sobe para ajustar nada, e a margem que você não colocou no projeto não existe mais. Foi ali que eu aprendi a deixar margem para o que pode dar errado, e é a mesma régua que eu aplico hoje num sistema que precisa rodar sem ninguém olhando.
Por que eu comecei a construir
Não foi vocação por software. Foi necessidade de processo.
Eu operava processos que estavam desenhados certo, e mesmo assim o resultado variava. Um processo bom, executado por pessoas diferentes em dias diferentes, sob pressão diferente, não sai igual. E a parte que mais varia costuma ser a mais repetitiva, que é justamente a que mais cansa quem executa.
Então comecei a automatizar para tirar peso de cima de quem estava ali. Treinar um sistema custa mais ou menos o mesmo tempo que treinar uma pessoa, às vezes menos. A diferença é que, depois de aprender, ele repete a mesma ordem na milésima vez com a mesma exatidão da primeira. A pessoa fica livre para fazer o que máquina nenhuma faz.
O erro que eu levei anos para enxergar
Eu construí sistema para a operação dos outros com uma disciplina que não apliquei a mim. Cada projeto meu tem registro de decisão, trava que reprova, documento que declara o que está vivo. Nenhum desses cuidados foi aplicado ao registro do meu próprio trabalho.
O resultado é que boa parte da minha engenharia ficou invisível. Projeto de subestação, estudo de proteção, laudo fiscal e licitação pública não estavam em currículo nenhum, em perfil nenhum, em lugar nenhum. Existiam só na obra entregue e na memória de quem estava lá.
Esta página é a correção desse erro, e ela demorou tempo demais para existir.
O que eu estou construindo
Tenho uma filha autista, nível de suporte 2, não verbal. O que eu construo hoje é o futuro dela, e vai continuar sendo pelo tempo que for necessário.
Isso responde uma pergunta que esta página levanta sem explicar. Eu insisto em sistema que roda sozinho, em trava que reprova antes do erro sair, em documento que diz a verdade sobre o próprio código, e num repositório público que se chama não depende de lembrar. Não é preferência estética. É que eu aprendi, no lugar onde mais importa, que o que depende de alguém estar presente para funcionar uma hora falha.
- 2010 a 2014
- Engenharia de Energia, Universidade de Brasília.
- 2012 a 2013
- Intercâmbio de mestrado Bolonha em Engenharia Mecânica, Instituto Superior Técnico de Lisboa, pelo Ciência sem Fronteiras. Pesquisa em caracterização energética de veículos elétricos.
- 2014 a 2015
- Assistente de engenharia e analista de energia em consultoria: eficiência energética e viabilidade de projetos.
- 2015 a 2017
- Mestrado em Ciência e Tecnologia Aeroespacial (Space Technology Applications), Beihang University, Pequim, com pesquisa em microssatélites. Melhor defesa de tese da turma, trabalho apresentado na Global Space Exploration Conference.
- 2017 a 2018
- Analista de energia: laudos de ICMS para indústria, licitações públicas e estudos de viabilidade.
- 2018 a 2024
- Executivo multissetorial numa empresa de energia solar: CRM e propostas, processo comercial, projeto e obra.
- 2023 a 2026
- Executivo multissetorial no varejo: ERP Sankhya, compras, estoque, logística e dados.
- 2025 a 2026
- Gestor executivo e product owner na empresa de energia solar: construção dos sistemas desta página.
- Idiomas
- Português nativo, inglês profissional completo, espanhol básico, chinês elementar.